quarta-feira, 25 de abril de 2012

Dear sun, why did you left?


Tens me adoçado os dias com esse teu afável calor e infinita luz a infiltra-se-me pelos meus poros. Transmitindo a mais pura essência, que é só tua. Única e inigualável, ninguém brilha como tu. Mesmo após seres escorraçado pela noite escura, nasces de novo em força para lhe mostrares que não desistes e que vale a pena cada pedacinho de energia que gastas para acalorar os corações humanos de quem te contempla. Por vezes gostava de ser como tu. Ter essa força para recomeçar e lutar contra quem te deita abaixo. Logo tu, que enfrentas todos os ventos, todas as chuvas, todas a trovoadas e todas as tempestades sozinho. Admiro-te. Admiro-te muito por isso. Talvez seja este o motivo de por vezes partires sem dizer nada. Para recarregar baterias. Fico dias a fio sem saber de ti, se estás bem, se voltarás em breve ou não... Por vezes os dias são mais claros e consigo vislumbrar a tua sombra, mas estás de costas voltadas, lá bem longe. Mas sei que vais voltar, que não me abandonas, e fico à tua espera. Se calhar é isto que te torna tão especial e cheio de encanto. Esta ânsia em voltar a ver-te, em matar cada pontinha de saudade e em aproveitar todos os segundos antes que partas de novo.

Começas a espreitar mais vezes por entre as nuvens e já me estava a habituar de novo ao teu cheiro pelo meu corpo, mas agora deixas-te-me de novo. Não te censuro. Sei que quando estiveres pronto voltarás. Só peço que voltes em breve e que fiques. Que fiques por muito tempo ao pé de mim e que tragas todas aquelas coisas boas que só tu sabes. Até lá, ficarei eu aqui à tua espera como sempre fico, a saborear o que ainda me resta desta tua última visita. Mas vai dando notícias, manda-me um postal de vez em quando para ver se o tempo sem ti se vai tornando mais fácil de passar. Agora faz o que tens a fazer, prepara-te que eu também me vou preparar. Vou preparar-me para a tua chegada, para poder aproveitá-la ao máximo. E é nesta certeza, de que voltarás para mim, que estou aqui te escrevendo, olhando a tua bela amiga Lua que, tão amavelmente, te vem substituir sempre que és levado pela noite. Que ser tão mágico e delicado este.

De súbito vem-me um pensamento à cabeça e fecho os olhos com força. Tento afastá-lo de mim mas ele teima em não ir embora. Oh Sol, tu que demoras 8 minutos a chegar até nós, 8, este número de infinidade, olha o mundo e vê. Vê o que fizeram dele. Observa mais perto do que os campos verdejantes, do que os oceanos, rios, montanhas, do que as mais belas cascatas de água, do que as flores coloridas e repara num outro ser vivo espalhado por todo o mundo, também muito especial: o Homem. Sabes que dia é hoje? 25 de Abril de 2012. Hoje, aqui em Portugal, comemoramos a nossa liberdade. Antes os homens estavam enclausurados pelos senhores mais ricos. Exatamente iguais, tanto uns como outros, unicamente diferentes nos bens e na categoria social. E é só isso que lhes trás este destaque, o poder de mandar, manipular, oprimir e encurralar os outros. Irónico não achas? Tendo em conta que qualquer um deles veio ao mundo da mesma forma, sem nenhuma destas posses. Não faço ideia do que é viver assim, sem sequer poder exprimir os meus pensamentos. Foi ao pensar nos teus 8 minutos que me lembrei dos 8 anos de vida de um escravo. Passados estes anos é como se o seu prazo de validade expira-se. Já não são mais úteis para o seu "dono". Foram postos à prova nos mais diversos níveis de sobrevivência e crueldade pelos da sua mesma espécie. Estão abalados pelo cansaço que se reflete nos traços dos seus rostos e no fundo dos seus olhos. Como é que alguém é capaz de fazer isto a outro ser vivo? É-me difícil de entender. Estipular-lhes um prazo de vida e usá-lo em seu proveito para depois deixá-los morrer já sem forças. Foi há 38 anos atrás que isto mudou por cá, com uma revolução. Mas nada de guerras, só flores! Que dia bonito este.

Mas olha, repara melhor. Estás a ver? Não me parecem assim tão merecedores desta liberdade que conquistaram. Libertaram-se das garras de uns para trancarem as suas próprias garras noutros. As pessoas usam a sua nova liberdade para tentar ao máximo roubar a dos outros, e criam lutas entre si. Esquecem os cravos e passam à violência, aos insultos, ao desprezo. Deixam-se dominar pela ambição. Arrancam a carne que os mais fracos transportam no bico para as suas crias que os aguardam nos ninhos e tiram-lhes as penas sem dó nem piedade. Querem ser os melhores. E lá entramos de novo nesta luta pela superioridade, pelo poder. Não olham uns para os outros nem reparam que as mãos que lhes assentam nos braços são iguais às do seu vizinho. Que mundo é este em que vivemos, onde tudo se vai destruindo cada vez mais? Falta a união, a ajuda, a sensibilidade e a capacidade de nos pormos no lugar dos outros. Pensam que são livres mas aprisionam-se cada vez mais uns aos outros. É triste.
Sol, tu que estás aí no alto, longe de toda esta crueldade, quando voltares, vem com toda a intensidade e dá-nos um pouco da tua força para quebrarmos todo o egoísmo que nos está corroendo. Enche-nos de alegria e luz como fazes com os campos e com os oceanos. Liberta-nos deste buraco apertado e ajuda-nos a dar as mãos! Faz-nos ficar a olhar-te e trocar o rancor pelo sorriso. Esquecer esta bolha negra que nos assombra. Vem querido Sol, vem.
Cá te espero, como sempre.

Da tua querida amiga,
Ariel

7 comentários:

  1. Gostei muito da tua escrita :)
    Vou só deixar te uma critica construtiva, devias por a font de uma cor mais escura, para que seja mais facil ler ;)

    xoxo

    www.finsandfreckles.blogspot.com

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  2. gosto e estou a seguir,
    visita, comenta, e se gostares segue

    http://Makeawish8.blogspot.pt/

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  3. Aww adorei :)

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    Passei à segunda fase, desta vez ajuda-me a ganhar! Mete gosto e divulga por favor! Muito obrigada:)

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  5. oh nao faz mal, mas se poderes divulga por aqui e pelos teus amigos pf:)

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  6. descobri agora o teu blog e deixa-me dizer-te que estás de parabéns, escreves super bem e para além disso temas com que todos nos identificamos ;)
    vou seguir definitivamente
    *********
    HF

    http://the-hf-blog.blogspot.pt/

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